MEIOS DE GRAÇA



INTRODUÇÃO

A doutrina dos meios de graça vem sendo duramente combatida por religiosos mal intencionados ou por crentes de internet que simplesmente desconhecem o tema. Há crentes dizendo que o único meio para se obter a graça é a fé e citam o texto de Efésios 2.8: “Pela graça sóis salvos, e isso não vem de vós, é dom de Deus”. Os incautos deixam-se vencer e abater por este fortíssimo argumento.

Os opositores dos meios de graça perguntam: “Se é favor sem merecimento, quem acha que faz quinhentas madrugadas, novecentos jejuns, três mil e duzentas orações, lê a Bíblia duzentas vezes, e canta dez mil e quinhentos louvores, para obter Graça, está TOTALMENTE equivocado, perante à Palavra de Deus! Estaria atribuindo merecimento para se obter Graça!?!?!?" Este questionamento parece lindo, mas está revestido de preconceito religioso, ou ignorância bíblica, ou arrogância de crente improdutivo. A briga dos opositores aos meios de graça é com a Bíblia e não com qualquer outro pedaço de barro, a não ser que tenham uma autorização expressa da parte de Deus para revogação da Palavra. Oração, jejum, leitura à Palavra, madrugada e louvor são bíblicos sim, mas são meios de santificação, e isso é individual, JAMAIS coletivo, pois Deus trata com cada um de maneira íntima e diferente.

GRAÇA – UMA DEFINIÇÃO

A expressão sempre teve vários significados. Ora significa bondade, longanimidade e misericórdia, ora significa o favor imerecido. É interessante um estudo formulado por Earl Blackburn, pastor da Trinity Reformed Baptist Church em La Mirada, Califórnia [1]. No referido estudo bíblico o autor relaciona três meios particulares e três meios públicos. Outro texto interessante é o livro intitulado "Palestras em Teologia Sistemática" - Henry Clarence Thiessen - Imprensa Batista Regular - IBR, relaciona como meios de graça a oração e o jejum. Há referências aos meios de graça entre os batistas, presbiterianos[2], metodistas[3] e muitos outros.

DEFINIÇÃO DE GRAÇA – O vocábulo graça encontra duas palavras no hebraico (J. Moffatt - Grace in the New Testament):
1-Hesedh - Traduzida como misericórdia, bondade, longanimidade, que quando aplicada a Deus significa graça.  Em lamentações 3.22 vemos a expressão ser usada como sinônimo de bondade.

2-Hen - Empregada para demonstrar a atuação de um ser superior em favor de um inferior, é favor imerecido. O termo grego para graça, "charis", é o equivalente de "HEN" em hebraico. A graça salvífica, CHARIS ou HEN, é a que recebemos exclusivamente através do Senhor Jesus.
Exemplos da utilização de “hen”, traduzida como graça no NT são os textos de Gênesis 33,8.10.15 e Jeremias 31,2. Há pessoas que encontraram “hen” ou graça diante de Deus: Noé (Gênesis 6,8), Moisés (Êxodo 33,13), Davi (2Samuel 15,25).
Todavia, quando no AT a expressão “graça”, ou “hesedh” em hebraico, é utilizada como sinônimo de misericórdia, bondade, benignidade ou longanimidade, que cuida-se de um favor de Deus, não se está diante da graça salvífica. Pode ser inclusive uma contrapartida do Senhor em atenção a uma atuação de uma pessoa. Há vários exemplos na Bíblia do favor de Deus que melhor se encaixam como bondade, ou misericórdia, ou uma bênção, mas a expressão utilizada é a graça (hesedh).
Exemplos são a oração de Ana, o jejum e o louvor do Rei Josafá, as intermináveis lágrimas em oração do Rei Davi, o jejum apregoado em Nínive em razão da pregação do Profeta Jonas, etc.

DEFINIÇÃO DE BÊNÇÃO - A palavra para bênção é BERAKHA, empregada para a conceção de um benefício material ou uma bênção. No NT o termo é ELEOS (EULOGIA), que tanto pode significar a concessão de benefícios materiais, ou bênçãos materiais em geral, ou bênçãos espirituais (Tg 3.10, Ef 1.3).
No Novo Testamento, a palavra hebraica “hen” é traduzida para graça. A palavra hebraica “hesedh” é traduzida para “eleos” em grego, ou bênção. Muitas vezes, tem-se graça como sinônimo de bênção no Novo Testamento, mas uma análise simples elucida facilmente a questão.
Portanto, “eleos” é a expressão grega para a palavra hebraica “hesedh” (Romanos 9,15-18) e "charis" a expressão grega para “hen” (1Coríntios 1,4). Nesses dois vocábulos estão presentes os dois significados básicos presentes no Antigo Testamento: favor, bondade, longanimidade ou benignidade para o primeiro, ou atitude de misericórdia ou favor imerecido de Deus para com os homens, de um ser superior para um inferior, no segundo.
Por essa razão, creio que o termo mais adequado não seria meios de graça, mas meios de bênção, pois as bênçãos podem representar uma recompensa, tanto pela busca dirigida para um objetivo especial (oração, jejum, louvor), ou um favor concedido porque estamos orando, jejuando, louvando ou adorando ao Senhor.
Alguns autores, como HODGE, utilizam a expressão "meios da graça" para oração e Palavra de Deus (Palestras em Teologia Sistemática, Henry Clarence Thiessen,pg 282 - Imprensa Batista Regular do Brasil, 1987).
 
MEIOS DE GRAÇA

Meios são recursos empregados para se obter algo, no caso, a graça, como sinônimo de bênção de Deus. A Palavra nos diz que o povo de Deus no AT jejuava e madrugava para obter o favor de Deus. A oração é um método utilizado por todo servo do Senhor. O louvor ou adoração, basta lembrar o Rei Josafá.
Vejamos o texto seguinte onde a expressão “graça” ou “charis” é utilizada:
Nas Sagradas Escrituras, a graça pode ser sinônimo de bondade ou misericórdia (hesedh), ou bênção. Se utilizarmos a graça, lato sensu, ela abrangeria tudo, inclusive todas as bênçãos, porque não há nada que possuímos que não tenha vindo de Deus, como favor, a começar pela nossa vida, pelo sol que nasce para todos. Mas a graça, stricto sensu, é a graça salvífica (hen ou charis). Por isso, a teologia dos reformadores separa a graça comum da graça salvífica.
Exemplos de bênçãos ou graças (eleos ou hesedh) que não se confundem com a graça salvífica:
1) Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e repentinamente sobreveio um terremoto, os alicerces do cárcere se moveram e abriram-se todas as porta (Atos 16.25-26);
2) Quando os discípulos não puderam expulsar demônios, Jesus lhes disse: Essa casta só sai com jejum e oração. Ou seja, a bênção dependia de oração e jejum antes do embate com o inimigo, dependia de um preparo. Não deixava de ser uma benção, mas trazia embutida uma recompensa por uma ação de jejuar e orar;
3) Aqueles que deixam tudo por amor de Cristo e do evangelho receberão cem vezes mais nesta vida (Marcos 10.29-30);
4) Em Filipenses 4.15, vemos a menção a dar e receber, e em Filipenses 4.18-19 clara referência a uma benção grandiosa por estarem sustentando as missões de Paulo com suas ofertas;
5) Em Atos 10.30, o anjo do Senhor diz a Cornélio, que estava em jejum, que as suas orações foram ouvidas e estavam sendo respondidas. As suas esmolas estavam diante de Deus.
Ou seja, há bençãos que traduzem recompensas. Isso não quer dizer que tudo não passa de favor de Deus. Por que Ele responderia orações? Por que Ele atentaria para o jejum, a madrugada e o louvor não fosse por um ato de bondade e misericórdia?
Mas fica aqui demonstrada a eficácia do jejum, da oração e do louvor, claramente. Há ainda as recompensas pelas ofertas.
Portanto, definimos os seguintes meios de graça: Louvor e adoração, oração, jejum, madrugada, Palavra de Deus.
CONCLUSÃO

Portanto, a graça salvífica, ou “charis” em grego, ou “hen” em hebraico, traduz sempre o favor imerecido, uma concessão de um ser superior para o inferior. Essa graça é dada sem merecimento, é um favor imerecido.  Essa é a graça ou "charis" presente na expressão de Efésios 2.8:
"Pela graça sóis salvos, mediante a fé, e isso não vem de vós é dom de Deus."

Aproveito a oportunidade para mencionar que as escrituras muitas vezes utilizam o termo para nominar os seus efeitos. "E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Veja aqui a utilização do termo “charis”, graça, cujo significado não é a graça salvífica. Mas a graça salvífica como sinônimo de poder de Deus e unção. Ou seja, o efeito sendo chamado pela causa. Não é a primeira vez que isso acontece nas Escrituras Sagradas. É um claro exemplo de "hebraísmo" no novo testamento.

Já a graça do tipo “hesedh”, em hebraico, ou “eleos”, em grego, é muitas vezes traduzida como bênção. Trata-se de uma concessão do Senhor que vai ao encontro de uma atitude de uma pessoa, de um servo(a).

Quando falamos em meios de graça, estamos nos referindo à graça do tipo “hesedh”, que muitas vezes é alcançada através do louvor e oração, como quando Paulo e Silas louvavam e oravam e o cárcere veio abaixo em razão de um terremoto. Essa benção ou graça (hesedh) pode ser obtida com a leitura da Palavra de Deus ou ouvindo a Palavra de Deus ou uma pregação da Palavra. Jacó obteve a “hesedh” ou “eleos” ou benção de Deus quando de madrugada orava e lutava com um anjo no vau de jaboque.

Muitas vezes, alguns irmãos (Assembléia de Deus e Deus é Amor) utilizam a expressão “pagar um preço” para alcançar uma bênção do Senhor. Não há problema na expressão se está se buscando a “hesedh”, ou “eleos”, ou uma benção de Deus, fruto da sua bondade e longanimidade. Portanto, às vezes Deus trabalha com recompensa, indo ao encontro de um pedido de um servo necessitado. Deus tem prazer na oração, nas lágrimas em oração, na busca do seu povo. Igualmente, Deus tem prazer naqueles que o buscam: "Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o coração".

Enfim, qualquer que seja a expressão. Seja “hen”, isto é, graça como favor imerecido, ou “hesedh”, ou “eleos”, ou uma benção fruto de uma oração, na verdade tudo é graça. Isto porque Deus salva por causa da sua infinita misericórdia, e atende à oração por um ato de misericórdia também. Mas a pureza doutrinária bíblica recomendaria a expressão “meios de bênção”, porque a graça aqui é a “hesedh”, ou “eleos” ou benção de Deus. Nas palavras dos reformadores, não é a graça salvífica, o favor imerecido, mas a graça comum. Observa-se, porém, que a expressão meios de graça já se popularizou até mesmo em cursos de teologia, sendo difícil uma alteração da expressão.

 TABELA DOS MEIOS DE GRAÇA NAS DENOMINAÇÕES EVANGÉLICAS

ONDE?
MEIO DE GRAÇA

Várias denominações evangélicas pelo mundo utilizam este recurso.

Especialmente entre os cristãos do oriente médio e outros países de árdua perseguição religiosa, o uso do clamor pelo sangue de Jesus tem sido uma arma poderosa contra as armas letais dos inimigos do evangelho.

A maioria das denominações que utilizam este método não possuem uma lista sistematizada dos meios de graça, todavia utilizam o método tendo em vista o seu funcionamento real na prática cristã cotidiana e a base bíblica para a sua utilização por aqueles que são experientes em "fugir da boca do leão" todos os dias.

Este recurso é visto com descrédito pela cristandade cessacionista e determinista.








I - A AÇÃO DO SANGUE DE CRISTO NA IGREJA VISÍVEL

(I João 2:2 - João 6:53 - Hebreus 10:19-20 - I João 1:7)

Clamor pelo Sangue de Jesus  

[►Link 1] [►Link 2][►Link 3][►Link 4][►Link 5]  





Os métodos 1 e 2 estão presentes em várias denominações que possuem uma lista sistemática dos meios de graça, tanto tradicionais, quanto renovadas.

Os métodos 2 e 3 são praticados por denominações pentecostais e deuteropentecostais e são vistos com descrédito pela cristandade cessacionista e determinista.

Os reformados mais antigos criam e praticavam estes métodos, os atuais ignoram a história.
[►Saiba mais ]

Algumas denominações atribuem outros nomes a estas práticas e não possuem uma lista sistematizada dos meios de graça.

II - A AÇÃO DA PALAVRA DE DEUS NA IGREJA VISÍVEL

Em nossa nomenclatura este meio de graça divide-se em quatro instâncias ou métodos, todavia não existe uma lista padronizada entre as denominações cristãs. 

1 - Leitura sistemática da palavra
(Vide próximo link)

2 - Meditação na Palavra
O homem buscando a Deus.
[►Link 6]

3 - Revelação da Palavra
O Espírito Santo (o autor da Palavra) a interpreta para o servo de Deus, levando-o a transcender o sentido literal, obtendo o alcance profético.
[►Link 7] [►Link 8] [►Link 9]


4 - "Consulta à Palavra" ou "Buscar pela Palavra" (Salmo 25:12 - Salmo 25-14 - Hebreus 4:12-13) [►Link 10] [►Link 11]  [►Link 12]


A oração está presente na lista de todas as igrejas praticantes dos meios de graça.
O item número 3 é visto com descrédito pela cristandade determinista brasileira, todavia é praticada por diversas denominações evangélicas pelo mundo e por todas as denominações evangélicas da Coreia do Sul, incluindo a Igreja Presbiteriana com 10 milhões de membros e a igreja Metodista com 1 milhão de membros.


III - O PODER DA ORAÇÃO NA IGREJA VISÍVEL

1 - Oração Individual
 Tiago 5:16, Mateus 6:6
[►Link 13]

2 - Oração Coletiva
Atos 2:42, Atos 4:31
[►Link 14]

3 - Orações pela Madrugada
[►Link 15]


O Jejum não entra na lista de todas as denominações praticantes dos meios de graça.


IV - A EFICÁCIA DO JEJUM NA VIDA DA IGREJA VISÍVEL

Isaias 58:6, Esdras 8:23, Atos 13:3, Mateus 6:16-18, Joel 2:12, Daniel 10:3, Atos 13:2

Este recurso está presente na lista de todas as igrejas praticantes dos meios de graça.

V - O LOUVOR DA IGREJA VISÍVEL

Praticados por todas as denominações evangélicas o batismo e a ceia nem sempre aparecem relacionados na listagem dos meios de graça das denominações.


VI - AS ORDENANÇAS DO NOVO TESTAMENTO PARA A IGREJA VISÍVEL.

O Batismo e a Ceia

Praticados por todas as denominações evangélicas estes recursos nem sempre aparecem relacionados na listagem dos meios de graça das denominações.


VII - O CULTO DA IGREJA VISÍVEL.

1 - A Comunhão coletiva no corpo
2 - O Culto coletivo

Algumas denominações reformadas históricas incluem o pedobatismo (batismo infantil) entre os meios de graça. As igrejas pentecostais, as deuteropentecostais e os batistas consideram-no inapropriado e sem fundamento bíblico.

VIII - O BATISMO INFANTIL
Pedobatismo (Batismo Infantil) [►Link 16]

A quantidade de meios de graça varia de denominação para denominação. Alguns recursos e métodos que algumas denominações consideram e chamam de meios de graça outros evangélicos costumam chamar de "heresia". A despeito de alguns calvinistas militantes que maldosamente chamam a consulta ao Senhor pela palavra de "bibliomancia", o "pedobatismo" (batismo infantil) praticado por eles e por seus renomados teólogos tem sido conhecido no meio evangélico renovado como "o bezerro de ouro da reforma protestante".

O nosso conselho é que cabe ao cristão que se considera servo de Deus respeitar outros servos DELE pertencentes aos outros arraiais. Podemos sempre discordar quando isto for necessário, todavia o respeito ao próximo faz parte do modo de vida cristão, enquanto batalhamos juntos pelo reino!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[2] Não despreze os meios de graça - Ildo Mello -  https://www.youtube.com/watch?v=OHZsALhOYQQ
[3] Conferência Fiel - Joel Beeke - Como Fazer Uso dos meios de Graça - https://www.youtube.com/watch?v=qIPUn6OocY8