APOLOGÉTICA: 'RAZÃO X REVELAÇÃO' OU 'RAZÃO + REVELAÇÃO'?

Por Marco Elias


"Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus".
Romanos 12:1,2


APOLOGÉTICA - ORIGENS

Na Patrística, chamam-se apologistas alguns personagens cristãos que, sobretudo, no século II se dedicaram a escrever apologias ao Cristianismo, usando temas e argumentos filosóficos, que se mostraram compatíveis com a revelação cristã. O objetivo desses escritos não era tanto o de defender o cristianismo contra certas correntes filosóficas ou contra religiões opostas à fé cristã, mas sobretudo o de convencer o Imperador do direito de existência legal dos cristãos dentro do Império Romano.

Apologética (do latim tardio apologetĭcus, através do grego πολογητικός, por derivação de "apologia", do grego απολογία: "defesa verbal") é a disciplina teológica própria de uma certa religião que se propõe a demonstrar a verdade da própria doutrina, defendendo-a de teses contrárias. Esta palavra deriva-se do deus Grego Apolo. Preferimos o uso da expressão “defesa da fé” em lugar do termo “apologética” por questões etimológicas, sem ter nada contra quem a utiliza, considerando que a maioria das expressões do nosso vocabulário nem sempre possui origem sacra, mas dependemos destes símbolos comunicativos para transmitir informações à nossa sociedade na língua em que ela fala.


FIDEÍSMO E RACIONALISMO: DUAS FILOSOFIAS EQUIVOCADAS NO MEIO PROTESTANTE

Fideísmo é o termo que vem do latim fide, que significa “fé”. O fideísmo é a filosofia cristã evangélica caracterizada pela negação da razão humana (ou tentativa de negá-la) em detrimento da revelação de Deus.

O racionalismo vem do latim “ratio”, que significa “razão”. Ao contrário do fideísta, o racionalista se esforça para encontrar razões, evidências ou indícios que sirvam para fundamentar o conhecimento de Deus. 

Biblicamente falando, estas duas posições filosóficas cristãs estão equivocadas. As escrituras deixam claro que o servo de Deus deve fazer uso da fé - por meio da qual Deus se revela (Romanos 1:17), mas deve fazer uso da razão para efetuar escolhas equilibradas e condizentes com o projeto de Deus, em sua caminhada cristã. O racionalismo sem fé (sem revelação) conduz o homem para longe de Deus (Provérbios 14:12). A fé (revelação) sem uso da razão (submissa a Deus) leva o crente ao misticismo e à heresia.

O USO CORRETO E BÍBLICO DA RAZÃO

Como está explícito no texto bíblico (Romanos 12:1-2) o culto racional depende das ações humanas daqueles que oferecem o referido culto. Quem apresenta o corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus utiliza (obrigatoriamente) a razão humana neste ato de fidelidade a Deus... (A Bíblia Sagrada não mente).

O versículo chave para a apologética Cristã é provavelmente 1 Pedro 3:15-16: "antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor..." Não há nenhuma desculpa para um Cristão ser completamente incapaz de defender sua fé.

A defesa da fé cristã é algo espiritual, mas também racional e coerente com a Bíblia Sagrada. Esta defesa obedece princípios universais do cristianismo de Cristo (fazendo distinção daquele meramente nominal) e não obedece aos modelos eleitos por grupos religiosos, afinal a palavra de Deus é superior às elucubrações de todos os lideres denominacionais que já pisaram sobre a face da terra separados ou reunidos (se alguém pudesse reuni-los em só lugar, rompendo as barreiras do tempo e do espaço).

Vejamos alguns, dentre os vários textos bíblicos, que denotam o uso da razão humana em equilíbrio com a submissão à palavra para que o crente não seja enganado em sua vida espiritual e faça uma correta defesa da sua fé:

"E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo" - Lucas 10:27

"Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo" - 1 João 4:1


"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim". Atos 17:11

Há um caminho traçado por Deus... Nele a razão humana está submissa ao Espírito Santo, mas nunca está morta. A palavra de Deus garante a necessidade do uso dela. O culto racional que se oferece a Deus é um exemplo disto (Romanos 12:1). O termo assim traduzido como "racional" implica o uso da razão e vem da palavra grega “logikos”, que significa o uso da lógica e do intelecto do homem. Sabemos que o culto deve ser ordeiro, inteligente, profético, espiritual e sempre de acordo com a bíblia sagrada (e não segundo o modelo de um grupo de servos de Deus bem intencionados). O Espirito Santo não fere a palavra que ELE mesmo inspirou.

Aquele a quem será ofertado o culto conferiu esta inteligência ao homem e ela será usada na adoração, mesmo que o ofertante do culto seja um camponês leigo ou um pregador catedrático! 

Que sejamos sábios em Cristo Jesus! A ELE seja dada toda a glória!